Livro esgotado
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Dimensões: 100p., 15,0x22,5 | 200g
Edição: Dafne Editora, Porto
Data: Junho de 2010
DL: 2011-07-28
ISBN: 978-989-8217-09-7
Preço: vinte e um euros e vinte cêntimos
Design: Studio Andrew Howard
Jacques Rancière
Estética e Política. A Partilha do Sensível.
Inclui entrevista


«É ao nível do recorte sensível do que é comum à comunidade, das formas da sua visibilidade e da sua organização, que se coloca a questão da relação estética/política. É a partir daí que podemos pensar as intervenções políticas dos artistas, desde as formas literárias românticas de decifração da sociedade, até aos modos contemporâneos da performance e da instalação, passando pela poética simbolista do sonho ou pela supressão dadaísta ou construtivista da arte. A partir daí podem voltar a pôr-se em causa inúmeras histórias imaginárias da “modernidade” artística e debates infindáveis acerca da autonomia da arte ou da sua submissão política. As artes só emprestam aos projectos de dominação ou de emancipação aquilo que lhes podem emprestar, ou seja, muito simplesmente, aquilo que têm em comum com eles: posições e movimentos dos corpos, funções da palavra, repartições do visível e do invisível. A autonomia de que elas podem usufruir ou a subversão que podem reivindicar assentam sobre esta mesma base.» (J.R.)

A Partilha do Sensível é um texto-chave de Jacques Rancière. É neste livro que o autor articula estética e política e caracteriza os três regimes estéticos, «ético», «representativo» e «estético». A presente tradução de Vanessa Brito é complementada por uma entrevista, O Duplo efeito da arte politizada, e por um Glossário de Gabriel Rockhill e constitui uma introdução abrangente ao pensamento do autor, figura central do debate contemporâneo nos domínios da estética e da filosofia política.

O livro virá a público no próximo dia 27 de Novembro por ocasião do colóquio A República por vir. Arte, política e pensamento para o século XXI, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, onde o autor proferirá uma conferência em sessão conjunta com o filósofo e historiador de arte Georges Didi-Huberman.

JACQUES RANCIÈRE (n. 1940), filósofo, Professor Emérito de Estética e Política na Universidade de Paris VIII, publicou inúmeras obras nestes domínios, de que se destacam Le Maître ignorant. Cinq leçons sur l’émancipation intellectuelle (1987, 2004), La Mésentente. Philosophie et politique (1995), Estética e Política: A Partilha do Sensível (fr. 2000, pt. 2010), L’Inconscient esthétique (2001) e O Espectador Emancipado (fr. 2008, pt. 2010). O encontro e divergência de Althusser constitui uma etapa fundamental na formação desta figura cimeira da filosofia política. Em La Mésentente repercorre textos e temas canónicos do pensamento político, argumentando que o aspecto fundador da democracia é o desentendimento, quanto aos protagonistas, temas e termos do jogo político. A política democrática é, pois, encarada como a incessante disputa quanto ao recorte, ou partilha, do sensível. Não obstante, na presente época do consenso - e alheamento - político, é no campo da arte e cultura contemporânea, em domínios tais como a literatura, teatro, artes visuais e cinema, que Rancière reconhece o terreno em que o recorte do sensível é objecto da mais intensa disputa e profunda reelaboração. É em Le Partage du sensible. Esthétique et politique (Estética e Política) que o autor articula política e estética, assinando um título maior da reflexão estética contemporânea. Com efeito, é aqui que Rancière caracteriza os três regimes estéticos ("ético", "representativo" e "estético"), procedendo ao levantamento sistemático das operações imanentes aos mesmos, démarche que o leva, muito para além de noções como a de "modernidade", a repensar a habitual distinção linguagem/imagem e a tendência para identificar a imagem com o visível, recenseando efeitos de imagem no interior do texto literário (p.ex. a descrição, que interrompe a narração), bem como as mais diversas formas de entrelaçamento do dizível com o visível.


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