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Dimensões: 15,0x22,5 cm, 22p.
Edição: Dafne Editora
Data: Junho de 2014
Preço: Gratuito
Design: João Guedes / Dobra
Peixe Lua
Luí­s Miguel Cintra, Beatriz Batarda, Ricardo Aibéo, João Luí­s Carrilho da Graça


Carrilho da Graça Estou perfeitamente de acordo com essa descrição e referia me precisamente a isso. É evidente que existe uma história e que o filme é cuidadosamente tecido e organizado. O que não me parece é que essa história seja a matéria fundamental do filme. A história vai apoiando uma série de registos, da mesma maneira que o espaço das cidades e as casas vão apoiando uma série de ideias e sensações que vão sendo propostas e induzidas. Para mim, o fundamental do filme – o que o Luis Miguel Cintra chama de derrota – é esta espécie de abertura de um espaço que aparece como vazio, no sentido de não haver tomadas de posição em relação à presença de todas estas personagens e de todas estas hipóteses de leitura, interpretação e história.

João Bénard da Costa Hoje, no filme, várias coincidências me fizeram uma certa impressão. Primeiro a ligação ao tema deste ciclo. No primeiro plano em que se vê a casa pensei: «Pela primeira vez neste ciclo, vemos uma casa de ricos.» Porque nos filmes apresentados até aqui elas nunca apareceram. Nem nos Verdes Anos: aquilo é uma casa da pequena burguesia, ou média burguesia, mas não é uma casa de ricos. Aqui é. É uma casa que é bonita, num espaço agradável, o carro de luxo na garagem, os cavalos, tudo aquilo que está ligado ao dinheiro.

Beatriz Batarda ... A maneira como nos é apresentada a história deste grupo está cheia de pequenos detalhes que, por vezes, nos passam um pouco ao lado. Essa tragédia é absolutamente consequente, porque é uma repetição, uma rima que obedece ao tal ciclo ou padrão familiar. Isso foi o que aconteceu ao Gabriel. Primeiro, era ele o toureiro nas mãos do grande empreendedor, e ficou com uma lesão – no final, repara se que o Gabriel coxeia quando corre, por culpa dessa lesão na anca nunca mais voltou a tourear. É por isso que há um momento de frustração em frente ao espelho – que também rima com uma cena anterior em que o Rafael fazia a mesma coisa. A cena apresenta se como o segundo sacrifício, e também por essa razão o ritual da tourada. E lá está a tal influência – continuo a bater no mesmo ceguinho – judaico cristã do sacrificado, também presente na tradição dos rituais ao deus Mitra, mais um carneirinho que vai ser sacrificado pelos ganhos do novo feudo.


João Luís Carrilho da Graça, Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, Tavira, 2006.

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