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Dimensões: 15,0x22,5 cm, 24p.
Edição: Dezembro 2014
Data: Agosto de 2014
Preço: Gratuito
Design: João Guedes / Dobra
Uma Rapariga no Verão
Vítor Gonçalves, Duarte Cabral de Mello


Duarte Cabral de Mello O filme – que é lindíssimo – é um pesadelo, porque, quando projectamos, por uma razão de ética ou outra que queiramos usar como terminologia, a ambição é que os espaços sejam habitados. Se há coisa que senti no filme – talvez perversamente – é que em quase todo ele há um medo de habitar. Não sei como é que se consegue fazer isso no cinema, fiquei fascinado. Só num ou noutro caso – um par que está a dançar, não é o par principal – é que parece que as pessoas estão contentes no espaço.

Vítor Gonçalves É muito interessante o que está a dizer. Eu sabia que não queria constituir para o filme um espaço que fosse naturalista, como sentiram. Não estava interessado naquilo que normalmente acontece, que é construir‑se um espaço coerente, aparentemente muito coerente e mais ou menos naturalista, no interior do qual as personagens estão instaladas. Estava muito interessado numa tensão entre as personagens e o espaço. Mas, no fundo, pensei – e à medida que o filme foi sendo feito tornou‑se mais claro para mim – é que havia certos espaços que estavam ligados à luminosidade, à ideia de expectativa de vida, e havia outros espaços ligados à sombra, à escuridão, que criavam uma dimensão mais próxima da ameaça. Como se houvesse uma espécie de confronto entre esses dois conjuntos de espaços. Ao mesmo tempo, outro interesse que tinha era a questão da juventude, dos corpos jovens, em espaços antigos. Por exemplo, o caso do bar. O mundo não é novo, portanto havia sempre uma outra tensão, que tinha a ver com o tempo.

 


Duarte Cabral de Mello e Maria Manuel Godinho de Almeida, Concurso para o Centro Cultural de Belém, Lisboa.

 

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