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Dimensões: 16p., 15,0x22,5
Edição: Dafne Editora, Porto
Data: Julho de 2007
DL: 246357/06
ISBN: 1646-5253
Preço: Gratuito
Design: granja
Luís Urbano
Dupli_cidade e a flânerie contemporânea


A personagem literária do flâneur foi caracterizada por Baudelaire, no livro O pintor da vida moderna, como um vagabundo aristocrata que deambula pela paisagem urbana, um espectador apaixonado que encontra lugar no coração da multidão, cercado no fluxo e refluxo do movimento, isto é, na própria contingência da modernidade. O flâneur não tem motivação aparente, não carrega o peso da erudição nem da memória do passado, não tem direcção nem objectivo. O seu propósito é uma rendição passiva ao fluxo aleatório e surpreendente das ruas. A multidão é o seu território, a sua profissão é misturar-se com a multitude. Para o perfeito flâneur, um observador apaixonado, torna-se uma imensa fonte de prazer viver entre a mole humana, estar longe mas sentir-se em casa em qualquer lado, ver o mundo, habitar o seu centro e ainda assim permanecer escondido. O estado de espírito peculiar do flâneur, do moderno vagabundo, é a solidão. A massa em seu redor serve para acentuar este isolamento, permite-lhe o contacto humano, que o inspira, mas não interrompe o seu percurso solitário.

LUÍS URBANO (Coimbra, 1972) formou-se no Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra em 1998. É docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto desde 1999. Prepara doutoramento sobre a arquitectura dos conventos femininos.



Boulevards contemporâneos.

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