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Dimensões: 16p., 15,0x22,5
Edição: Dafne Editora, Porto
Data: Maio de 2008
DL: 246357/06
ISBN: 1646-5253
Preço: Gratuito
Design: granja
Pedro Fiori Arantes
O lugar da arquitectura num «planeta de favelas»


Quem se aproxima das grandes cidades do hemisfério sul, debruçado na janela de um avião, pode vislumbrar um panorama estarrecedor: planaltos e colinas tomados por casinhas apinhadas, entremeadas por traçados viários estreitos e irregulares, que à noite se tornam quase invisíveis dada a precária iluminação. Nas cidades um pouco mais ricas, cortando esse tecido urbano como lâminas, vêem-se grandes estruturas de betão — vias-rápidas, viadutos, ferrovias — que permitem o tráfego rápido, além de coberturas metálicas de armazéns que abrigam hipermercados e centros de compras para um público sem muito dinheiro, mas que precisa de sobreviver. Do caminho do aeroporto ao centro da cidade, favelas tangenciam avenidas e pontes, quando muito escondidas por árvores, muros ou outdoors. Diante dessa expansão descontrolada da pobreza urbana, a tradicional política de remoções, ainda persistente, parece fazer cada vez menos sentido: no lugar da favela que sai, em dias forma-se outra. As iniciativas para tornar invizível a pobreza são, hoje, tecnicamente inócuas. Sem ter como varrê-la definitivamente para longe, mesmo os políticos conservadores perceberam que não se pode mais ignorá-la.

PEDRO FIORI ARANTES, formado na Faculdade de Arquitectura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, produziu investigação sobre as políticas urbanas do Banco Mundial e do Banco Interamericano para a América Latina. É autor do livro Arquitetura Nova (Editora 34, 2002) e organizou a colectânea de ensaios críticos do arquitecto Sérgio Ferro, Arquitetura e trabalho livre (CosacNaify, 2006). É coordenador da organização não-governamental usina que presta assessoria técnica em projectos de habitação.



Construção do mutirão União de Juta

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