Dafne Editora

Livros de Arquitectura

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Livros de Arquitectura

Filipa de Castro Guerreiro
Colónias Agrícolas
A Arquitectura entre o Doméstico e o Território, 1936–1960

As sete colónias agrícolas, construídas em Portugal entre 1936 e 1960, tinham como objectivo fixar população e reorganizar a propriedade agrícola: emparcelar no Norte, parcelar no Sul. Através da intervenção nos baldios, grandes propriedades de sequeiro do Sul e terrenos do Estado, a ambição era aumentar a produtividade e promover a transformação dos trabalhadores agrícolas em pequenos proprietários. Neste processo, os arquitectos participaram ultrapassando o campo habitual da sua acção, contribuindo para uma construção interdisciplinar da casa, dos assentamentos e do território.
Revisitar a experiência das colónias agrícolas da Junta de Colonização Interna, além de expor as suas contradições, permite pensar em aspectos fundamentais do presente, desde as relações entre paisagem, construção, agricultura e economia até à racionalidade das soluções de projecto e à economia de meios, passando pela capacidade do desenho das formas arquitectónicas para definir articulações entre as várias escalas do território e a sua organização social.

Este livro estrutura-se em três partes. A primeira contextualiza a formação e os objectivos da JCI e sistematiza informações sobre a localização, a história e a cronologia de cada colónia construída. Nas sete colónias agrícolas, Milagres em Leiria, Martim Rei no Sabugal, Pegões no Montijo, Gafanha em Ílhavo, Barroso em Montalegre e Boticas, Alvão em Vila Pouca de Aguiar e Boalhosa em Paredes de Coura, foram construídos 512 casais — constituídos pela habitação, instalações agrícolas e terrenos de cultivo — e um conjunto significativo de equipamentos de assistência técnica, religiosa, médica, social e escolar. Na segunda parte, defende-se que a chave para a leitura da diversidade de expressões arquitectónicas e de estruturas de povoamento decorre não só de uma metodologia de projecto que atendeu à geografia local, mas sobretudo do longo e conturbado período de gestação em que as obras foram projectadas e construídas. A estrutura desta segunda parte, organizada em quatro capítulos em sequência cronológica, é construída sobre a hipótese de leitura do objecto. É possível circunscrever o programa colonizador da JCI em quatro «momentos» cujas dinâmicas próprias tiveram consequências na sua tradução arquitectónica. A ideia de «momento» é importante, porque os seus limites não se prendem necessariamente com períodos temporais ou marcos históricos definidos, mas antes com espaços de tempo delimitados por determinados contextos e circunstâncias —objectivos, programas, visões, pressões e dificuldades— que tiveram consequências directas na arquitectura. Na terceira parte identificam-se os princípios e dispositivos que se repetem no conjunto das sete colónias, assim como os elementos que não só introduzem legibilidade, mas também permitem reconhecer uma identidade comum. São enunciadas questões relativas à inscrição deste conjunto de intervenções na cultura dos espaços urbanos portugueses e do seu possível contributo para o exercício contemporâneo do projecto e para a estruturação do território.

 

A publicação deste livro foi possível graças ao financiamento do Programa Garantir Cultura.

Recensões
Sérgio C. Andrade, «Quando o Estado Novo quis ensinar o modo “português” de viver e trabalhar a terra» in Público, 1 Maio 2022

30,00

Fora de Série: n.º 15
Dimensões: 300 p., 21,6×26,2 cm
Peso: 1300 g
Edição: Dafne Editora
Data: Fevereiro 2022
DL: 495544/22
ISBN: 978–989–8217–57–8
Design: Pedro Nora