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Dimensões: 140p., 15,0x22,5 | 250g
Edição: Dafne Editora, Porto, 2013
Data: Outubro de 2013
DL: 367489/13
ISBN: 978-989-8217-24-0
Preço: Dez euros e nove cêntimos
Design: Gráficos do Futuro
Domingos Tavares
Sebastiano Serlio
Tratadismo normativo


No decorrer de um século muita coisa mudou na comunidade dos artistas italianos empenhados no movimento para uma arquitectura ao modo antigo. Alberti deu início à tratadística moderna sobre arte e edificação, com o De Re Aedificatori, um livro da teoria de tipo normativo que caracterizou o modo de entender uma nova profissão de natureza intelectual inferida da tradição latina. Registou o esforço para o conhecimento das técnicas construtivas, as que conjugavam a sabedoria artesanal com a descoberta do mundo antigo, no sentido de dominar os instrumentos de controlo e caracterização do espaço. Afirmava a autonomia da ideia conceptual no perseguir os caminhos das descobertas necessárias para a construção da cidade humanizada.
Cem anos passados, Sebastiano Serlio dava à estampa o Libro Quarto, a sua Regola Generali di Architettura. Era uma espécie de manual de boas práticas para uso dos arquitectos que, assim, permitiria a cada um trabalhar com a certeza do bom desempenho, correspondendo à crença numa verdade, ou via única, para atingir a perfeição e a beleza. Bastava, para isso, cumprir os enunciados do código cuja publicação se iniciava, como um catálogo de formas ao modo antigo, a que se seguiriam as necessárias informações técnicas complementares. Como suporte das suas ideias invocava o trabalho de alguns romanófilos que investiam numa ciência arqueológica nascente. Mas, para o sucesso dessa tese, muito contribuíu a generalização do livro impresso apoiada no progresso técnico e no uso intenso da gravura, conferindo-lhe a entusiasmante facilidade de uso para cópia.
Personalidade fascinante de finíssimas maneiras, espírito atento e discurso versátil de excelente conversador, Serlio era tido como homem modesto, sedento de saber, capaz de conquistar a confiança dos seus amigos mas também, por vezes, capaz de ser mordaz para com os seus inimigos. Instalado em Veneza, no coração do conflito intelectual entre reformistas activos e tradicionalistas críticos, foi compondo ordenadamente os enunciados das cinco ordens clássicas extraindo regras de proporção e hierarquias de uso, acreditando estar a ensinar as boas práticas de Vitrúvio. Com amigos de ambos os lados da polémica religiosa, inclinou-se para a banda dos espiritualistas católicos, acreditando no catecismo e no catálogo. Isso valeu-lhe o sucesso editorial e os seus livros correram o mundo. Mas seria mesmo inequívoca ou permanente a verdade enunciada pelos figurinos? Como se poderia entender a relação entre a liberdade criativa ao serviço do belo e a regra predefinida?

DOMINGOS TAVARES (Ovar, 1939) é arquitecto e Professor Emérito da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde ensinou desde 1985 a disciplina que deu origem às Sebentas de História da Arquitectura Moderna publicadas pela Dafne Editora desde 2003. Autor dos livros Da Rua Formosa à Firmeza (Faup, 1985) e Francisco Farinhas Realismo Moderno (Dafne, 2007).



Sebastiano Serlio, pórtico com serlianas

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